*Referência:
BECKER, Fernando. Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos. BECKER, Fernando. Educação e construção do conhecimento: revista e ampliada. 2 ed. Porto Alegre: Penso, 2015.
*Considerações:
Segundo o autor do texto referido, existem três formas diferentes de representar especificamente o exercício da docência e as atividades da sala de aula.
-PEDAGOGIA DIRETIVA E SEU PRESSUPOSTO EPISTEMOLÓGICO
- PEDAGOGIA NÃO DIRETIVA E SEU PRESSUPOSTO EPISTEMOLÓGICO
- PEDAGOGIA RELACIONAL E SEU PRESSUPOSTO EPISTEMOLÓGICO
O primeiro modelo é fundamentado na epistemologia empirista, é o que encontramos ao entrarmos em uma sala de aula de escolas públicas de educação básica. Os alunos sentados em fila, o professor na frente exigindo silêncio para passar o conteúdo que depois será cobrado através de exercícios cobrados por ele para a avaliação de entendimento do que foi ensinado. E assim seguem sucessivamente as aulas em todas as disciplinas do currículo a ser seguido. O professor é o transmissor do conhecimento e o aluno o receptor que aprende o que ele ensinou. O professor considera que seu aluno é tabula rasa.
" Sobre a tabula
rasa, segundo a qual “não há nada no nosso intelecto que não tenha entrado lá
através dos nossos sentidos”, diz Popper (1991): “Essa ideia não é simplesmente errada, mas grosseiramente errada...” (p. 160)."
Para o autor, essa pedagogia legitimada pela epistemologia empirista, configura o quadro da reprodução da ideologia; reprodução do autoritarismo,
da coação, da heteronomia, da subserviência, do silêncio, da morte da crítica, da
criatividade, da curiosidade, da inventividade – de tudo aquilo que configura a
atividade reflexiva, filosófica ou científica; morte, inclusive, da pergunta (Schuck
Medeiros, 2005). Porém atualmente está impossível trabalhar esta prática, porque os alunos estão um tanto mais curiosos e não aceitam em totalidade o velho método, onde o professor fala e ele escuta, o Professor dita e o aluno copia, o Professor decide o que fazer e o aluno executa, o professor ensina e o aluno aprende.
A regra é simples, e para firmar esta questão segundo, o próprio autor ao trazer a resposta de um professor universitário entrevistado com a seguinte pergunta: Qual o papel do professor e qual o do aluno na sala
de aula?: “O professor ensina e o aluno aprende; qual é a sua dúvida?” (Becker,
2011). Porém pra hoje, o aluno está com mais ousadia para perguntas e questionamentos.
O segundo modelo, é fundamentado na epistemologia apriorista, algo presente nas concepções pedagógicas, psicológicas e epistemológicas do que nas práticas da sala de aula. Com esta prática o professor se ausenta na sala de aula, seria apenas um facilitador e que auxiliaria o aluno, uma maneira de apenas organizar o saber do aluno, deixar fazer para que o aluno por si mesmo encontre o caminho,e o professor intervir o menos possível. Como diz um professor (Becker, 2011): “Ninguém pode transmitir. É o
aluno que aprende. O processo é mais centrado no aluno”.
Segundo o texto, da mesma maneira que o modelo diretivo predomina na escola pública, o não diretivo predomina nas escolas da rede privada. Assim da pra ver que uma pedagogia desse tipo não é gratuita.
O terceiro modelo é fundamentado na epistemologia crítica ou construtivismo, e Psicologia Genética de Piaget, é onde o professor e os alunos trabalham juntos, e o professor acredita no potencial dos alunos para desenvolverem atividades e demonstrarem seus conhecimentos através de suas próprias ações. Aqui o professor não acredita na tese de que a mente do aluno é tabula rasa.
Nesta relação, professor e alunos avançam juntos no tempo. As relações de sala de aula passam de cristalizadas com dose de monotonia e tédio para fluidas . O professor ao exercer a docência no dia a dia passa a aprender sempre um pouco mais e os alunos no exercício de discentes passam no dia a dia a ensinarem um pouco mais tanto aos colegas quanto ao professor. É tratar de recriar o mundo que se quer, e não apenas de reproduzir ou repetir o mundo que foi construído pelos antepassados.
É para que não se ande a reboque da história, mas para fazer história, segundo o autor ao encerrar o texto:" para então fazer-se sujeito, para ser sujeito."
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